domingo, 20 de novembro de 2011

17/NOV/11

Limão!

O que pode trazer de bom um limão bem verde para um ensaio?

Resposta: Muitos estímulos!

Ao cortar os três limões com uma faca de cabo vermelho, começamos a chupá-los. É azedo? Experimente e verás! Primeira proposta era de chupar, isso sentados um de frente pro outro no chão, e ver quais estímulos aquele gosto lhe traz. Acho que eu nunca contorci tanto meu corpo sentado quanto esse dia. As sensações que temos sentados são várias, e mesmo que a gente não queria, nosso corpo reage de uma maneira inesperada.

Após chupar um limão inteiro e com a tentativa de gravar, colocar aquelas sensações, sentimentos no corpo e o que o limão lhe traz quando você o chupa, colocamo-nos em pé para trazer isso para o corpo em posição vertical. Caso você se esqueça do estímulo, pegue outro 1/4 de limão e o chupe para lembrar.

Em pé, outras reações, dessa vez focando em uma movimentação corporal mais global. Era muito natural o quanto meu corpo se movia e reagia por completo ao colocar aquelas sensações azedas no corpo. Ele se mexia por inteiro, e não havia uma parte que não estivesse sendo movimentada.

Estávamos também, além do estímulo do limão para a criação, com música. Assim, surgiram comigo momentos dançados, dançando dentro e fora do ritmo da música, pausas, e outras possibilidades que surgiram no momento. Nunca tinha feito um exercício parecido e achei super interessante o estímulo do limão.

Em uma determinada hora, colocamos também conosco um amigo imaginário. Assim, teríamos que nos conectar com ele e assim jogar. Ao fim do exercício, Samuel pediu para que eu escrevesse o que viesse a cabeça, praticando assim a escrita automática. Segue abaixo o que escrevi:

"O que será que você tanto busca? Tem medo de perder quem? Porque o sofrimento mexe tanto com seu corpo que você quer jogar tudo pro alto? No fim o que se afastou que te faz perder as pernas, o dedinho mindinho? Sua queda mexe o mundo inteiro e levanta muitos. O que te faz ficar tão agitado? O que não te faz ficar parado? Porque você se mexe tanto? Sai com de você, grunhidos. Seu corpo pulsa liberando uma tensão presa pra liberdade. Leveza de ar e peso de chumbo. Braços que te guiam, vamos experimentar outra? Você sente tanto que não consegue falar, por isso o corpo fala."

As vezes colocamos certos adjetivos para caracterizar algumas pessoas como: "ele é um cara muito fechado", "ela é muito azeda", "ele é um doce de pessoa". Com esse exercício, pensei: "O que/como seria uma pessoa fechada? Uma pessoa doce? Uma pessoa azeda?" Aí me veio isso. Esses estímulos exteriores, que não sei como posso chamá-los, podem ser de grande utilidade para a criação de uma personagem, por exemplo.

Surgiram, a partir da proposta, corpos interessantes, vozes, sons, muito material que acho que pode ser útil para nossa performance de dezembro. Vamos ver o que vem em breve!

Inté!

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